FC Barcelona enfrentando a sombra: entre o gênio quebrado e a injustiça arbitral

A trajetória ascendente do FC Barcelona, que parecia irresistível sob a liderança de Hansi Flick, acaba de parar repentinamente. Não é apenas a amarga derrota frente ao Girona que ressoa nas alas do Camp Nou (ou melhor, Montjuïc), mas a sensação difusa e persistente de que o clube catalão não luta apenas contra onze adversários, mas contra uma verdadeira “força negra”. Ao perder a liderança da La Liga para o Real Madrid, o Barça encontra-se no centro de uma tempestade onde as decisões da arbitragem parecem traçar um guião escrito com antecedência.

L’Ombre de Cesar Soto Grado

O jogo contra o Girona ficará na memória desocioscomo cenário de flagrante injustiça. No centro das críticas: o árbitro Cesar Soto Grado. Este nome, já sinônimo de disputa entre os torcedores blaugrana, cristalizou mais uma vez a raiva. O ponto de ruptura veio durante o gol decisivo do Girona. As imagens são, no entanto, inequívocas: Claudio Echeverri cometeu um erro óbvio ao pisar no pé de Jules Koundé pouco antes de Fran Beltran lançar a bola para o fundo da rede.
Apesar dos veementes protestos dos jogadores do Barcelona e das evidências tecnológicas, o Sr. Soto Grado e a célula VAR permaneceram impassíveis. Esta recusa em consultar o ecrã de controlo, esta “frieza” na aplicação da justiça a duas velocidades, apenas confirma os receios expressos por Joan Laporta e Rafa Yuste: o Barça evolui num ambiente hostil onde cada decisão controversa parece inclinar-se sistematicamente para o mesmo lado.
O Mistério da Pena, de Lamine Yamal
A incompreensão não para na fase defensiva do jogo. Antes do intervalo, um incidente técnico e regulamentar privou o Barça da oportunidade de recuperar a vantagem. Lamine Yamal viu o seu pênalti rejeitado, mas os regulamentos da FIFA são claros: se jogadores de ambos os campos (neste caso Bryan Gil para o Girona e Frenkie de Jong para o Barça) entrarem na área antes que o pé do chutador toque a bola, o pênalti deve ser retirado.
Mais uma vez, o apito permaneceu em silêncio. Este silêncio arbitral não é um simples erro humano; é um acúmulo de “detalhes” que, em conjunto, distorcem a justiça do campeonato. Como podemos explicar que protocolos tão rígidos sejam ignorados em momentos cruciais da temporada?
Uma conspiração sistêmica?
A frustração do clube catalão vai além de uma única partida. Faz parte de uma temporalidade suspeita. Poucos dias antes deste choque, Rafa Yuste tinha apresentado uma queixa oficial à Federação Espanhola (RFEF) sobre os erros de Juan Martinez Munuera durante a meia-final da Taça do Rei frente ao Atlético de Madrid, nomeadamente o cancelamento injustificado de um golo de Pau Cubarsi.
A resposta das autoridades parece quase irónica: enquanto ao Barça são negados golos válidos, o Real Madrid beneficia de duas grandes penalidades durante o jogo contra a Real Sociedad. A nomeação de Soto Grado para arbitrar o Barça logo após estas reclamações parece, para muitos, uma provocação ou uma tentativa deliberada de “colocar a equipa de Hansi Flick na linha”. O termo “perseguição sistemática” deixa de ser apenas um grito de torcedores, passa a ser uma hipótese de trabalho para a gestão do clube.
Autocrítica necessária: o outro lado da moeda
No entanto, Hansi Flick, um homem de rigor e pragmatismo, recusa-se a refugiar-se apenas atrás do álibi da arbitragem. Se o Barça perdeu foi também porque deu sinais de fragilidade interna. O altíssimo sistema de defesa, marca registrada do técnico alemão, é uma faca de dois gumes. Sem pressão constante e intensidade física constante, este bloqueio alto torna-se um “calcanhar de Aquiles” escancarado.
O rápido empate do Girona, depois de Cubarsi abrir o marcador, destacou uma culpável falta de concentração. Na ausência de Pedri, o mestre de jogo das Canárias, o médio perdeu a capacidade de ditar o ritmo. Sem esta pausa criativa, o Barça se precipitou para um jogo de transição selvagem que acabou desgastando-o. Espera-se o retorno de Pedri na próxima semana como o messias para restaurar esse equilíbrio quebrado.
A maturidade da Masia na tempestade
No meio deste caos, permanece um raio de esperança: a maturidade excepcional dos jovens talentos. Com apenas 19 anos, Pau Cubarsi demonstrou uma sabedoria que alguns veteranos não possuem. Declarando após a partida:“Todos viram o que aconteceu, mas não devemos criticar o árbitro. Precisamos olhar no espelho porque sofremos gols evitáveis.”, ele mostrou o caminho para a resiliência.
Esta atitude profissional honra a instituição, mas não deve obscurecer a realidade política do futebol espanhol. O Barça está sozinho contra todos. Para vencer esta La Liga, os catalães terão de ser não só melhores que os seus adversários, mas também mais fortes que os erros (ou intenções) de quem segura o apito.
O caminho para o título parece o caminho da cruz. Entre um Real Madrid que parece beneficiar de um vento favorável e um corpo de arbitragem sob ataque de críticas, o FC Barcelona deve transformar a sua raiva em energia criativa. A “força negra” mencionada pelos líderes pode ser real, mas o puro talento desta nova geração, se conseguir apagar os seus erros defensivos, continua a ser o melhor remédio contra a injustiça.
A temporada ainda é longa e, no final, muitas vezes é a verdade no terreno que acaba triunfando, mesmo que tenha que derrubar muros de indiferença.