A antevisão ao duelo entre Villarreal CF e FC Barcelona, ​​correspondente à 27.ª jornada da LaLiga, tomou um rumo inesperado e altamente polémico. Fernando Roig, presidente da equipe groguet, lançou uma acusação direta e grave contra a diretoria blaugrana, garantindo que possui “provas documentais e testemunhais” que demonstrariam a existência de um jantar privado no qual participaram membros da diretoria do Barça junto com o árbitro designado para dirigir a partida, bem como parte de sua equipe de arbitragem.

Segundo as declarações de Roig em audiência perante a imprensa no Estádio de la Cerámica, o encontro teria ocorrido há apenas três dias em um restaurante discreto na província de Barcelona. “Não estamos a falar de uma coincidência ou de uma saudação casual num evento público. Estamos a falar de um jantar organizado e prolongado, em que se sentaram à mesma mesa pessoas que não deveriam coincidir nessas circunstâncias se queremos preservar a imagem de limpeza no futebol espanhol”, afirmou o máximo dirigente do Villarrealista com tom sério e visível indignação.

Roig não hesitou em descrever o alegado acontecimento como “extremamente preocupante” e pediu à LaLiga, ao Comité Técnico de Árbitros (CTA) e à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) que abrissem uma investigação imediata. “Se isto for verdade, estamos perante um facto que põe em causa a imparcialidade da arbitragem num dos jogos mais importantes da temporada. Não podemos permitir que se gere a menor sombra de dúvida sobre a limpeza do campeonato”, acrescentou.
O presidente do Villarreal insistiu que não pretende gerar polémica gratuita, mas sim proteger a integridade da competição e os esforços de todos os clubes que competem de forma justa.

A resposta do FC Barcelona foi imediata. Poucas horas depois das declarações de Roig, Joan Laporta apareceu numa conferência de imprensa na Ciutat Esportiva Joan Gamper para negar categoricamente qualquer sugestão de má conduta. “Rejeitamos categoricamente estas acusações infundadas e maliciosas. Não há jantar ‘misterioso’ ou reunião inapropriada com árbitros. O que houve foi um encontro social, privado e absolutamente inócuo, em que coincidiram várias pessoas do mundo do futebol, como acontece em centenas de ocasiões ao longo do ano”, explicou o presidente blaugrana.
Laporta explicou que se tratou de um jantar organizado por um conhecido mútuo do mundo empresarial e desportivo, no qual participaram dirigentes de clubes, ex-jogadores, jornalistas e, inclusive, alguns membros da equipa de arbitragem que estiveram na cidade por motivos pessoais. “Não houve nenhum tipo de conversa sobre o jogo, sobre as decisões da arbitragem ou sobre qualquer coisa relacionada ao esporte. Foi uma noite descontraída, de convivência, como as que ocorrem em qualquer outro setor profissional. Tentar transformar isso em escândalo é uma manobra de distração que não toleraremos”, afirmou.
O líder culé foi mais longe e acusou implicitamente o Villarreal de tentar pressionar a equipa de arbitragem antes de um jogo chave para ambas as equipas. “O Villarreal está numa situação complicada na tabela e parece que procura qualquer desculpa para justificar possíveis resultados adversos. Não entramos nesse jogo. O FC Barcelona respeita escrupulosamente todos os regulamentos da LaLiga e da RFEF, e estamos dispostos a colaborar com qualquer investigação que se abra para demonstrar, mais uma vez, a nossa transparência e o nosso compromisso com o fair play”, afirmou Laporta.
O Comité Técnico de Árbitros emitiu um breve comunicado poucas horas depois em que recordou que “os árbitros estão sujeitos a um rigoroso código de conduta que proíbe qualquer tipo de contacto inapropriado com clubes ou dirigentes nos dias anteriores ao jogo”. Fontes da CTA confirmaram que já abriram uma revisão interna do caso e que irão recolher depoimentos tanto do árbitro designado como dos assistentes mencionados nas acusações.
No entanto, as mesmas fontes indicaram que, a confirmar-se a versão do Barcelona, ​​não seria aparente qualquer infração grave, uma vez que não são proibidos encontros casuais em contextos sociais desde que não haja influência no desempenho do árbitro.
No Villarreal o ambiente é de alerta máximo. A torcida grogueta, que há semanas exige maior força institucional diante dos resultados irregulares do time, acolheu com entusiasmo as palavras de Roig. Nas redes sociais, hashtags como #TransparenciaYa e #NoALaCenaMisteriosa se tornaram virais horas após a aparição presidencial. Muitos adeptos amarelos consideram que, embora o jantar não tenha tido intenções maliciosas, a mera imagem dos dirigentes do Barça partilhando uma mesa com os árbitros antes de um jogo de alta tensão gera uma desconfiança legítima.
Dentro do vestiário culé, o assunto tem sido tratado com discrição. Hansi Flick, treinador da equipa principal, evitou falar em profundidade na conferência de imprensa anterior ao jogo, limitando-se a dizer: “Só pensamos em futebol. O que acontece fora do campo de jogo não nos distrai. Queremos vencer o jogo pelos seus próprios méritos, com jogo e intensidade”. Os jogadores, por sua vez, têm se concentrado no aspecto esportivo, cientes de que o duelo contra o Villarreal é vital para manter vivas as chances de brigar pelo título.
A partida será disputada neste fim de semana no Estadio de la Cerámica com a arbitragem de um árbitro com comprovada experiência. A expectativa é máxima, não só pelo que acontece em campo, mas pelas repercussões que este novo episódio de tensão institucional entre dois dos clubes históricos do futebol espanhol pode ter.
Resta saber se as “evidências” anunciadas por Fernando Roig vêm à tona ou se tudo continua a ser uma encruzilhada de declarações. O que está claro é que o ambiente anterior ao Villarreal-Barça nunca foi tão cheio de suspeita e desconfiança. A bola rola neste sábado… mas o barulho midiático já começou a rolar muito antes.